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Chá de Alma


Sol.   Hoje o tédio levantou-se cedo, saiu da cama, viu o sol. “O dia está belo” – pensou. Belo dia para se passear pelas almas afadigadas, para se mostrar nas ruas, para se divertir com os burgueses. O tédio veste-se. Um manto púrpura brilhante, escondendo roupas pretas, evidentemente. Empalidece propositadamente, busca com mãos venenosas a sua escova, penteia-se de modo arrojado, louco, frenético.   Aí vai ele, deslizando, desfilando, como se todo o mundo fosse dele, como se esta vida não lhe pertencesse senão a ele. O tédio desfila e, no seu manto, pode ler-se “Chamem-me tédio, spleen, ennui, mal-estar ou sadness. Não interessa o meu nome”. Realmente, não interessa o nome que se lhe dá e, no entanto, sem esse nome, sem esse epíteto vivo, o tédio não seria mais do que uma mera forma estranha. O seu nome é a sua identidade.   O desfile ainda não terminou. O sol. Faz-lhe bem o sol, pelo menos assim pensa. Adora passear-se ao sol, sempre poupa um pouco as suas queridas pres…