Afinal, quem é que se vê grego?



  Olá a todos! Supostamente, hoje iria publicar um artigo diferente, mas senti-me na obrigação de vos vir falar de algo muito importante que se está a passar: a situação grega. Como todos devem ter reparado, a situação grega tem sido comentada intensamente e, desde que saíram os resultados do referendo de ontem, ainda mais! Assim, decidi vir apresentar o meu ponto de vista acerca do que se passa na Grécia, porque me interesso por aquilo que se passa no nosso mundo e gosto de me informar sobre a política e a sociedade atuais. Claro que não sou um poço de sabedoria em termos políticos e não sei tanto como gostaria; porém, acho que ainda tenho alguma informação para comentar o que se passa. 
  Em primeiro lugar, eu acho que nós, portugueses, e até toda a Europa, deveria ter os olhos postos no exemplo grego. Num país onde os bancos estão ''à rasca'', onde as pessoas quase não têm comida e onde se vêm ''gregas'' para pagar as contas com o dinheiro que lhes chega, é preciso ter coragem para votar ''não'' no referendo realizado. Para quem não sabe, este referendo tinha como objetivo averiguar se o povo grego aceita as propostas dos credores, que implicam mais austeridade e cortes, ou se não aceita e prefere que encontrem soluções alternativas, que possibilitem à Grécia crescimento e não apenas austeridade pura e dura. Posto isto, vemos que, num país que está literalmente ''à rasca'' e onde as pessoas têm a corda ao pescoço, votar ''não'' é ousado, porque, se tomarmos atenção, o povo grego pode ficar sem comida, sem dinheiro e sem condições nenhumas, já que não sabemos o rumo a que chegarão as próximas negociações! Por isso, eu digo PARABÉNS, POVO GREGO! VIVA A GRÉCIA! E porquê? Porque lutaram pela sua dignidade e quiseram mostrar a esta (des)União Europeia, e a toda a Europa, que são pessoas e não meras peças de uma economia selvagem e desenfreada. Porque não se deixaram ir abaixo, mesmo depois de as instituições europeias terem dito que votar ''não'' seria quase o mesmo que dizer ''não'' à União Europeia e à moeda única, num discurso completamente distorcido e que só tinha em conta os interesses dos grandes países, dos grandes bancos e do grande Deus cujo nome é CAPITAL. 

   Sendo assim, tenho ainda de reforçar uma ideia que, de certa forma, já expressei anteriormente - a Grécia quer planos com efeitos reais e não planos inférteis! A Grécia está farta de austeridade. Está farta de cortes nas pensões, nos salários e está farta de privatizações que só afundam o país e não o ajudam a crescer. E não, isso não significa que não queiram pagar a sua dívida e que são ''uns calões''. Aliás, demonstra inteligência da parte deles, porque não é com austeridade pura e dura que se chega a algum sítio! A austeridade pura e dura mata o poder de compra das pessoas e isso, claro, estagna a economia e o ciclo não terminará, então. A economia estará sempre mal, logo, será necessária mais e mais austeridade. É um ciclo interminável que os gregos não querem e estão corretos em dizer ''não''. É preciso um acordo real, com medidas reais, para a Grécia se reerguer. É certo que a Grécia errou, a Grécia endividou-se e houve problemas com dinheiro, mas, conhecendo a situação portuguesa, facilmente nos apercebemos de que, na Grécia, deve ter acontecido o seguinte - um grupo de elitistas com dinheiro na sua posse e em altos cargos deve ter esbanjado dinheiro sem qualquer preocupação com o que poderia vir a acontecer e deixaram a Grécia assim.


No fundo, queriam lucro e lucro e também devem ter tentado aliciar as pessoas a viver acima das suas posses, ou seja, a contrair inúmeros empréstimos e a investir, mesmo que houvesse um enorme risco de tudo correr muito mal! Por isso, a culpa não é dos gregos todos, de certeza. A culpa não deve ser dos gregos que trabalham das 8h às 18h com uma horinha para almoço e que tentam fazer a sua vida normal, mas são esses, no entanto, que pagam! E, como se isso não bastasse, vem um conjunto de pessoas apontar o dedo a esses mesmos Gregos, dizendo que têm de pagar tudo. É certo que a Grécia deve pagar, pelo menos uma parte, da sua enorme dívida. No entanto, não será mais importante ensinar a Grécia a não fazer o que foi feito no passado? Não será mais importante tentar dar UMA AJUDA REAL com PESSOAS FORMADAS E BEM FORMADAS para saberem ter cuidado com empréstimos, dívidas, etc? Não será mais importante aplicar medidas restritivas em relação à corrupção? Não será mais importante isso do que esfolar um povo inteiro pelo que, em grande parte, não fez?
  Congratulo, mais uma vez, a Grécia e digo a esta DESUNIÃO EUROPEIA, na qual os países mais pequenos são explorados e arruinados à custa do grande capital, que é preciso mudar. É preciso ter consciência do que se passou e tomar medidas EFETIVAS, não medidas de ''faz de conta'', para ajudar a Grécia e toda a Europa que está, neste momento, mal. Portugal também está mal. O nosso país também está a ser esfolado e o pior de tudo é que, ao contrário dos Gregos, os nossos governantes lambem botas aos grandes tubarões deste sistema no qual só o dinheiro realmente interessa. Não lutaram pelos portugueses, nunca o fizeram e preferem dizer que a Grécia está a fazer mal a ver ''as trancas nos próprios olhos''! E nós, portugueses, também deveríamos deixar de ser parvos de uma vez por todas e largar o sofá, o futebol e a novela e começar a TENTAR procurar informação de qualidade e programas em que haja informação sobre o que realmente se passa! Falta-nos o espírito que os Gregos tiveram, é esta a verdade! Mas a Grécia deu um grande abre-olhos a todos nós (e aqui refiro-me também aos restantes europeus) e mostrou, inequivocamente, que está farta destas politiquices. Será que o Eurogrupo e as restantes instituições europeias vão ter em conta o que foi expresso pelos Gregos? É melhor nem agoirar...  
   

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Monet, luzes e ação

Short story

Petit poème en prose