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Chega de Estar

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O sol entra pelas minhas janelas e invade todo o espaço da minha casa, enquanto eu o deixo entrar em mim. Deixo-o, na verdade, infiltrar-se na minha pele como se o meu sangue fosse feito de finos raios solares.   Decido acabar com os dias tristes que estão alojados na minha corrente sanguínea. Ponho fim às inseguranças, às tristezas e às desilusões tão constantes e substituo-as pela vida oriunda dos dias de sol brilhante. Não consigo mais estar triste enquanto sinto esta luz dourada a penetrar o meu ser.   Largo as vicissitudes. Largo a amargura. Largo quem sou nos dias tristes e extenuantes. Saio de mim mesmo. Arranco o meu sangue e troco-o por quem realmente deveria ser. Abro a janela e esqueço que tenho um rosto e que sou alguém. O sol toma conta da minha face, os meus olhos esquecem-se do castanho e tornam-se azuis como o céu que me toca no interior. No meu âmago. O vento é o meu cabelo. E todo eu sou o próprio dia de sol.

  Como manter esta apatia, esta tristeza, este nervosismo? C…
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A Ataraxia do Céu

Sento-me e olho para o céu que ainda há pouco contemplava na rua. Preciso de ter as persianas abertas. Preciso de ver esse lugar cristalino e luminoso lá em cima...
  Caminhava como sempre caminho. Deslocava-me com um passo decidido e via a cor negra do alcatrão que pisava. Via essa cor até que decidi olhar para o céu e o que vi tomou conta de mim. 
  Um céu lindo e maravilhoso absorveu-me. Não era um céu digno das lentes dos que buscam a fama imediata, mas, sim, um céu que só a mim me falava. Um azul forte - mas não propriamente escuro - predominava, mas o céu tinha ainda nuances de violeta, cor-de-rosa e amarelo. Um céu que me transmitia a clareza, a beleza e o mistério de tudo. Um céu que me enchia. Que me preenchia. Que me foi. Que me é. 
  Algumas nuvens dissipavam-se e formavam, todas juntas, um fio, um risco bem grande de uma só cor. Podia ser cor-de-rosa, roxo ou aquele amarelo que caminhava a largos passos para o branco. Não interessa... O que me interessava er…

Livros e mais livros (II)

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Os Últimos Livros de 2016
  Olá a todos! Antes de mais, quero desejar a todos umas boas festas, com muito amor e muitos doces. Que o espírito do Natal permaneça convosco ao longo do ano inteiro!    E agora vou-vos dizer o que farei no post de hoje. Em Agosto, num post intitulado "Livros e Mais Livros", mostrei-vos os livros que tinha lido até então, tendo feito uma pequena resenha e apreciação crítica de cada um deles. Obviamente, desde Agosto até agora, já li mais alguns livros, que partilharei aqui convosco. Este post não vai ser, portanto, um texto com um teor mais lírico como os anteriores, mas espero que gostem e que se sintam tentados a ler as páginas que já tanto me maravilharam este ano.    Aqui vamos nós! 
10 - Os Miseráveis - volume III - Marius, de Victor Hugo


    O volume III da mais conceituada obra do escritor francês Victor Hugo centra-se na personagem de Marius, que vivia com o seu avó, cujo espírito era extremamente conservador.    Ao longo deste livro, iremos con…

Manhãs

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O Sol que me entra pela janela



Detesto acordar tarde. Ou melhor, prefiro não o fazer. Adoro manhãs. Adoro manhãs luminosas, manhãs de paz. Tantos me dizem que adoram a noite e, porém, não é ela a que mais me encanta. As trevas trazem a paz, a acalmia, mas apenas porque são trevas. Não há assim tanta paz num mundo obscurecido.
  Prefiro a luz, prefiro os tímidos raios de luz que entram pela minha janela de manhã. Aqueles raios de luz dizem-me tanto... São tudo aquilo que sou quando me sou. Quero ser um raio de luz de uma manhã que inspira tranquilidade e quietude . Quero toda aquela paz que me entra na alma pela janela.
  A maioria das pessoas dorme. Querem ficar na cama. Aproveitar aquele restinho de calor que está na cama. Eu censuro-me quando não saio da cama. Como vos vivo, minhas manhãs! Como me sinto feliz quando vos sinto aqui dentro desta alma! É nestas manhãs que eu sinto a paz a que tantos poetas se referem... É nestas manhãs que eu sinto que tudo me é possível. Tenho paz, tenho…

Viajando em mim e fora de mim

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Estar e não estar


Entro no autocarro e deixo-me para trás. Deixo tudo o que conheço para trás, nem que seja por alguns minutos. Entro e sento-me. Sento-me e instalo-me. Instalo-me fora de mim, naquela escuridão que me envolve, que me acaricia e que me diz que vou estar sozinho. Eu a sós comigo mesmo.    O autocarro começa a andar e eu já sei que deixei tudo para trás. Os barulhos do motor, as luzes na estrada e os edifícios que me acompanham até chegar ao meu destino são tudo o que eu tenho. São tudo o que eu quero ter. Não quero ter nada, possuir nada, ser nada. Quero estar e não estar. É isso mesmo. Eu estou e não estou. Estou ali dentro e, no entanto, não estou em parte alguma. O movimento constante obriga-me a não estar, mesmo que ali esteja.    É isso que eu amo numa viagem. É esse estar e não estar, esse encontro de mim comigo mesmo graças ao facto de eu não estar onde estava ou onde costumo estar. A escuridão envolve-me e embala-me como se eu fosse uma criança e, na realidade, eu…

Livros e mais livros

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Os Livros Que Já Li em 2016
Olá a todos! Bem-vindos a mais um novo post, que eu espero que vos agrade. Se forem pessoas que gostam de ler, como eu, certamente gostarão de saber os livros que já li durante este ano. Se não forem, creio que será uma boa forma de conhecerem livros que talvez reavivem a vossa vontade de ler. Ora então aqui vai:
1 - Memorial do Convento de José Saramago

  Tecnicamente, comecei a ler o livro ainda em 2015, mas li a maior parte em 2016. É certo que fui "obrigado" a ler o livro por motivos escolares, mas, como até gostei, creio que o posso colocar na minha lista.   Inicialmente, não estava a gostar muito do livro, sobretudo porque a escrita de José Saramago não é propriamente fácil. Frases muito longas, com muitas ideias intercaladas, e sem a pontuação "académica" complicaram a leitura num primeiro momento. No entanto, a partir do 6º capítulo, comecei a entrar mais na obra e a desfrutá-la como deve ser. 
  Trata-se de um livro extremamente inte…

E agora?

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Decisões para o Futuro 
Olá a todos! Como sempre, passei algum tempo sem escrever no blog, mas estou de volta e vou hoje falar de um assunto muito particular, que envolve a minha ida para a Faculdade e o meu futuro.     Bem, no meu caso, não posso dizer que tenha tido muitas dúvidas ao longo do meu percurso académico. Estive em Línguas e Humanidades durante o Secundário e sempre mostrei um particular interesse pela área das Línguas. Adorei Português durante o meu Secundário, bem como Alemão e até Inglês. Sempre soube que queria seguir Línguas e, assim que abriram as candidaturas, coloquei Línguas Modernas, na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, como 1ª opção. Porém, apesar de nunca ter tido muitas dúvidas, nem tudo foi um mar de rosas, sobretudo devido aos comentários dos outros. Como tenho uma média extremamente boa, tive de ouvir imensas pessoas a dizer que "Devia seguir Direito" ou que "É um desperdício teres uma média tão boa e ires para Línguas"... B…