Geração do ''eu'



  Olá a todos! Depois do meu último post, que foi um poema (e eu espero que tenham gostado dele!), venho falar sobre outros assuntos. Acho que as pessoas da minha faixa etária se vão identificar com alguns aspetos, uma vez que vou falar sobre as nossas futuras aspirações, que divergem das dos nossos pais... 
  Frequentemente, penso na minha vida e penso naquilo que quero fazer no futuro e vejo que não quero uma vida como a dos meus pais. Não quero. Por um lado, não quero essa vida, porque não me imagino a ter filhos. Pode ser problema meu, mas eu sou demasiado ''egoísta'' para pensar muito nisso. Concentro-me tanto em mim, naquilo que quero e tenho de fazer, que acabo por descartar essa ideia. Aliás, as crianças chateiam-me um bocadinho, porque, ao contrário dos adolescentes, sentem necessidade de brincar sem parar e querem que as suas vontades sejam satisfeitas, o que me cansa um bocadinho, sinceramente. Isto não significa que eu não gosto de crianças. Admito que gosto, eles são um raio de esperança e felicidade, mas não me consigo imaginar com filhos, simplesmente não consigo. Algumas pessoas, de certo, consideram que é um pensamento um pouco egoísta e, como eu referi, é... Mas é a minha maneira de ver as coisas! E vejo muitos jovens a pensar como eu. Muitas vezes, não sentimos qualquer desejo de ter filhos, sentimos que é algo que se afasta da nossa forma de pensar e de estar no mundo. Ter filhos é abdicar de nós próprios muitas vezes... Os nossos pais têm de fazer imenso por nós. Têm de nos sustentar, dar comida, roupa, tentar ver se estamos contentes, se as coisas estão a correr bem na escola, têm de nos ir buscar ao futebol, ao teatro, ao café quando vamos sair à noite e eu não me imagino a fazer isso. Quero ter a minha própria liberdade e ter filhos pode ser, realmente, fantástico, mas não combina comigo. 
  Para além disso, também não me imagino a ter um emprego qualquer só para me sustentar e ter dinheiro ao fim do mês. É aquilo que menos desejo no mundo. Quero ter o meu emprego de sonho e sentir-me realizado, mesmo que não durma para trabalhar. Quero estar realizado e estar realizado não significa poder pagar as contas! É sentir que estamos numa profissão em que damos o nosso melhor e que nos estimula também. Já todos nós tivemos de fazer coisas de que não gostamos na nossa vida e todos sabemos que não é agradável. Por vezes, habituamo-nos e vemos que até gostamos; outras vezes, só sentimos cansaço e desagrado. Por isso, eu quero um emprego para mim. Feito à minha medida - e sim eu sei o que quero ser no futuro! - e que me satisfaça. Claro que não há empregos perfeitos, nem nada que se pareça, mas, se tenho de trabalhar, pelo menos que faça aquilo que mais me atrai. 
  As redes sociais também mudaram a realidade. Agora, nós passamos horas e horas nos computadores a falar com amigos, a ver imagens e a ver vídeos. Estamos muito mais fechados e gostamos de estar assim porque temos conforto e entretenimento. Já não contactamos tanto com o exterior e começamos a esquecer-nos do mundo exterior, pelo que também temos tendência a olhar para nós mesmos e para as nossas necessidades.
  Acho que tudo isto acontece porque a nossa geração se apercebeu de que pode ir bem longe. Mostraram-nos o mundo e nós começamos a imaginar o que queremos fazer tendo em conta TODO o mundo. Não o aqui e agora! Mostraram-nos que temos de nos valorizar, cultivar e concentrar nas nossas ambições futuras e nós queremos fazer isso. Queremos uma realização total, o que, para muitos de nós, não é possível com o estilo de vida dos nossos pais. Para outros, essa realização passa por um estilo de vida assim! E ainda bem que há pessoas que querem ter filhos e dedicar-se aos seus filhos, até porque as taxas de natalidade são bastante baixas e é preciso sangue novo... Mas vejo cada vez mais pessoas a pensar como eu, a olhar para a vida assim. Será que são apenas devaneios de adolescentes? Talvez acabemos por não mudar assim tanto, ou talvez sim! Só o futuro o dirá...




  

Comentários

  1. Well, I have to agree. Sou tão egoísta como tu. Mas, ao contrário de ti, que és homem, a mim diz-me que "isso vai passar" e que "daqui a uns anos vais mudar de ideias". Porque sou mulher. E mulheres têm um instinto muito intenso de ter filhos e foda-se isso eu faço o que eu EU não e não o que a sociedade acha que devo querer.

    Enfim!! Eu discordo profundamente de quem diz que a nossa geração não socializa. Socializamos SIM. Mas de modo diferente dos nossos pais e avós. Passamos muito tempo em casa? Passamos. Passamos muito tempo agarrados aos nossos computadores, telemóveis, tablets e outros gadjets? Passamos. Estamos a desperdiçar esse tempo? 90% das vezes, não. Não é à toa que a nossa geração é a mais informada de todos os tempos, e isso não se deve só à Educação. Deve-se ao ACESSO à informação. Que temos à distância de um lique, graças a esses gadjets.

    Além disso, socializamos tanto quanto os nossos pais e avós, só que já não precisamos de nos deslocar para falar com as pessoas. O que significa que podemos passar o dia INTEIRO a falar com elas, e até mesmo com VÁRIAS pessoas ao mesmo tempo. Se isso não é socializar, então é o quê? Apenas não estamos tanto cara a cara... durante o dia. Repara lá se hoje em dia não há muito mais jovens a sair à noite do que antes? Socializar em padrões diferentes das outras gerações não significa que não socializamos. Provavelmente até somos mais sociais do que elas.

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  2. Ainda bem que falaste do ''estigma'' que recai sobre as mulheres que dizem não querer ter filhos! Realmente, é verdade que têm aquele peso em cima... E as pessoas, em geral, dizem sempre que vai passar porque mulher que não quer ter filhos é ainda algo estranho na nossa sociedade, mas, apesar de eu ser homem, também já me disseram que vou mudar de ideias neste assunto... Por isso, o mal é geral, apenas recai mais sobre as mulheres.

    Concordo com essa ideia da socialização. A nossa socialização é diferente... Lá porque estamos mais fechados em relação ao mundo exterior não significa que não falamos, nem contactamos, porque a Internet permite-nos contactar muito mais uns com os outros e até obter mais informação, como disseste. Mas sabemos que nem sempre isso é benéfico e acho que acabamos por desperdiçar muito mais tempo do que pensamos... Eu falo por mim, que gosto imenso de falar com as pessoas cara a cara e prefiro mil vezes estar 3 horas sentado num café a falar a passar essas 3 horas no chat do Facebook a falar com as pessoas e também nos perdemos muito a ver vídeos e imagens que, por vezes, não nos preenchem. Mas isso também é uma marca da nossa geração. Uma geração que necessita da Internet para se sentir completa e que nos ajuda a encontrar forças, ideias, informações, pessoas ...

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