Refugiados

O círculo vicioso da problemática dos refugiados




  Olá a todos! Depois de algumas semanas, decidi voltar e vim falar da problemática mais badalada dos últimos dias: a dos refugiados! Não é um problema fácil, por isso, vou colocar várias questões ao longo deste meu 'artigo' para tentar dar a minha opinião. Sei que, por mais que tente, vai sempre haver pessoas que não concordam com a minha opinião e sei que posso ferir certas convicções, até porque isso já me aconteceu a mim... por isso, respeitem apenas! 

1 - Os países europeus devem, ou não, ajudar os refugiados? 

Na minha opinião, sim. Não devemos simplesmente mandá-los embora e deixá-los completamente desamparados. 

2 - Será que só os países europeus é que têm a responsabilidade de ajudar estas pessoas? 

Quer queiramos, quer não, todos os países devem tentar ajudar tanto quanto podem. Sabemos perfeitamente que muitos países do Golfo, que têm as mesmas convicções religiosas e uma certa afinidade cultural, têm possibilidades de ajudar estas pessoas e devem-no fazer!

3 - Sendo assim, será correto ver os tais países ricos do Golfo a fechar as suas portas, dizendo aos europeus que devem abrir as suas e prestar assistência? 

NÃO! O Qatar, os Emirados, a Arábia Saudita, o Kuwait, ... também têm obrigação de ajudar estas pessoas. Afinal, para além de serem países ricos, que podem ajudar estas pessoas e integrá-las com menos esforço, a proximidade cultural, geográfica e religiosa são fatores preponderantes que permitem uma integração ainda melhor. Os países europeus não devem fechar as suas portas, claro. Apenas quero dizer que a Europa não pode fazer tudo! 



4 - Voltando à Europa: Sabendo que muitos europeus morrem de fome e de frio, sem ajudas visíveis, deveremos ajudar os refugiados? 

Para mim, esta é a questão que mais controvérsia gera. Para alguns, a prioridade será ajudar ''os de cá''. Para outros, deveremos tentar ajudar todos... Na minha singela opinião, temos de tentar ajudar todos. Sim, ''os de cá'' podem já ter feito muito pelos nossos países e acabado na rua injustamente, assim como isso pode não ter acontecido. De qualquer forma, todos merecem ajuda. Fazemos todos parte do mesmo mundo e todos nós somos cidadãos dele, MAS é importante dizer o seguinte: Se nem para ''os de cá'' há, como é que é possível ajudar os refugiados convenientemente? Afinal de contas, é preciso ser solidário com todos, mas sabemos que isso é impossível... ESTA QUESTÃO DÁ, REALMENTE, A VOLTA À CABEÇA DE UMA PESSOA! 

5 - É possível integrar, convenientemente, os refugiados? 

Antes de mais, é importante referir que muitos destes refugiados são pessoas que, nos seus países, pertenciam à classe média... ou seja, pessoas que tinham algumas posses e que podem, inclusive, ter formação. Tendo isto em conta, será que vamos conseguir integrá-los bem? Para além disso, e AINDA MAIS IMPORTANTE, uma verdadeira integração incluirá alojamento, emprego, alimentação, verdadeiras condições de vida ... o que significa que os custos serão enormes. Será que é mesmo possível integrá-los? Esta integração significa verbas astronómicas! 

6 - Será que os refugiados irão tentar impor a sua cultura e religião? 

Em relação a esta questão, acho que muitas pessoas estão a tirar conclusões precipitadas. Vejo já algumas pessoas a passarem-se e a dizer que será uma questão de tempo até que se imponham. Não sei se isso acontecerá ou não. É possível, claro, mas também devemos saber que tolerância não significa passividade. Devemos respeitá-los como são e ensiná-los a fazer o mesmo connosco. Há sempre pessoas que não o farão, mas, quanto mais tentarmos, melhor!

7 - Os europeus estão a ser hipócritas? 

Sim. Sabemos que já há muito tempo que o Médio Oriente enfrenta várias guerras, que a Europa decidiu ignorar. Tudo o que já se passou no Iraque, na Síria, no Líbano, ... foi deixado para trás, não temendo as consequências. A Europa foi indiferente em relação a estas guerras e não ajudou ninguém e não teve piedade de ninguém. Mais uma vez, ''deixou-se andar'' e agora que estalou este grande problema ninguém sabe o que fazer.

8 - Este problema vai mudar a face da política e da sociedade europeias?

Se as coisas assim continuarem, vai. Os comentários xenófobos, racistas e até fascistas já começaram. Já muitas pessoas disseram que eles vão impor a sua cultura, a sua religião, que só querem matar os europeus, assim como muitos já colocaram a questão ''e para os de cá''? O medo é muito poderoso e está a alimentar as pessoas. Não tardará até que partidos de extrema direita venham garantir pão ''para os de cá'', segurança e paz e os meios para atingir isso não serão os melhores...

  Para resumir tudo o que escrevi, este problema é muito complicado e não é fácil darmos uma opinião sem ''ofendermos'' um lado da problemática. Aliás, não dá para ter uma opinião sólida em relação a este assunto. São demasiadas variáveis, demasiadas questões que deverão ser pensadas detalhadamente... Caso queiram colocar mais questões acerca deste assunto para eu responder ou caso não concordem comigo, podem deixar nos comentários para debatermos ainda mais este assunto! 

Comentários

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  2. Bom dia Nuno, relativamente à questão de ajudarmos os emigrantes concordo plenamente contigo no entanto tenho só uma objeção a fazer. Tal como seres humanos que são têm todo o direito a fugir da guerra e a tentar procurar uma vida melhor, no entanto temos e têm também de pensar que a Europa está no meio de uma crise económica e por consequente não tem grandes possibilidades de ajudar (estou a falar relativamente a estruturas e a emprego). Não sei se desconheces ou se estás a par disso mas vários emigrantes em vez de verem a Europa como um lugar onde possam estabelecer e fugir às ameaças do seu país, veem-na como um local para semear o caos. Foi o caso de por exemplo na Grécia, onde vários emigrantes entraram pelas casas das pessoas, metendo-as inconscientes e roubando tudo o que tinham de valor; na Hungria onde milhares de pessoas se disponibilizaram levando carros de supermercado cheios de comida e objetos básicos para os receber e como paga deitaram tudo nas linhas dos comboios e ainda agrediram polícias!
    E ainda acerca desta questão do caos, o pior a meu ver foi quando milhares deles se "viraram" afirmando que não aceitavam as condições que a Cruz Vermelha lhes proporcionou porque não eram dignos de dormir em tendas partilhadas com mais 7 pessoas e não terem identificação. Apesar de muitos deles serem de classe média têm também de ter em conta que ao emigrarem para outro país têm de aceitar o que esse mesmo tem e não exigirem o que estavam habituados porque não é um grupo de 10 pessoas, é um grupo de milhares. A própria União Europeia está a fazer o melhor que pode, disponibilizando estruturas para acolher os emigrantes e mesmo assim alguns deles têm uma atitude hipócrita!
    Não digo fecharem completamente as portas como a Rússia fez mas sim haver uma seleção entre as pessoas que apenas desejam a paz e as pessoas que só estão a criar confusão, se tudo o que fazem é rejeitar e revoltarem-se perante o caso se calhar era melhor voltarem para o seu país onde há guerras, bombas e um constante medo.
    Uma questão que também gostaria de abordar é o facto de as próprias câmaras municipais estarem a disponibilizar cerca de meio milhão de euros para criar centros de acolhimento para os emigrantes quando há uma taxa elevada de sem abrigos no nosso país que todos os dias dormem debaixo da ponte por não terem dinheiro para pagar a casa ao estado mas agora dadas para a mão dos emigrantes o que a meu ver é um tanto ridículo.
    Na questão da religião digo o mesmo que já disse, se vêm para outro país à procura de condições regem-se pelas leis desse país e não pelo país de origem. Há imensa gente preocupada com a questão de entrarem terroristas, entre eles bombistas suicidas mas a meu ver, tal como os que criam confusão deviam ser imediatamente deportados para o seu país de origem dando assim lugar e oportunidade a famílias que precisam e querem ser ajudadas.
    Também há muito jogo de interesses no meio disto tudo. Porque não acabar com a guerra na Síria e começar do zero? Há meios para isso mas se calhar há muita gente que fica a perder com isso, os vendedores das armas para a guerra, o próprio Estado Islâmico. Em vez disso, mandam milhões de emigrantes para uma zona concentrada em vez de se espalharem, e é por isso que a União Europeia não tem condições, não só por não estar preparada mas também por própria ignorância.
    Concluindo este grande texto só tenho a dizer que não sou nem contra nem a favor da entrada dos emigrantes. Toda a gente merece uma oportunidade mas também que façam por merecerem! Há imensa gente que necessita de ajuda e um local para viver mas por outro lado também existe muita gente que só quer semear o caos e a destruição. E como assim o é, quem não quer estar cá e não se sente bem com as condições que certo país fornece que as vá procurar noutro lugar e dê esse mesmo a pessoas que realmente precisam! Peço desculpa pelo grande comentário mas acho que certa parte precisava de ser dita. Muitos beijinhos Nuno!

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    1. Oi Sofia, antes de mais quero mandar-te um grande beijinho porque já não nos vemos desde o dia 11 de Novembro e espero que esteja tudo bem contigo :D Agora sim, vou responder!
      Sim, estou a par de alguns dos factos que referiste no início do teu comentário. Houve, de facto, refugiados que foram ingratos e não souberam perceber que não é possível, neste momento, arranjar condições excelentes para eles, uma vez que a UE e os organismos solidários estão a trabalhar contra o tempo e percebo o que dizes. De facto, eles merecem ajuda e nem todos a ''aceitaram'' como deveria ser, logo, é natural que todos nós coloquemos a questão: ''Afinal, eles querem fugir de um país em guerra e aceitar a ajuda que há na Europa, mesmo sendo pouca, ou esperam que tudo seja um mar de rosas?''.
      Também compreendo a tua ideia de fazermos uma seleção entre os refugiados e perceber quem são as pessoas que estão aqui a lutar pela sua vida, sem querer ''estragar'' a nossa, e quem são aqueles que apenas querem criar confusão. No entanto, como é que iremos fazer tal seleção? Não é possível percebermos as intenções das pessoas instintivamente.

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    2. ++ Por exemplo, acerca do caso da comida deitada fora, não achas que é possível que aquelas pessoas tenham desperdiçado aquela comida sem pensar? Será que essas pessoas fizeram isso por pura maldade ou será que quiseram mostrar raiva pelo que lhes aconteceu? São meras suposições, não sei se isto terá sido assim ou não, e isto não significa que a atitude deles foi correta! Foram ingratos, mas não é por terem errado uma vez que deverão ser penalizados para sempre; ao contrário daqueles que realmente vandalizaram e criaram confusão noutros países europeus [como na Grécia e Hungria].
      Sobre a questão das câmaras municipais, realmente é verdade que muitos sem-abrigo e muitas outras pessoas abandonadas por aí não são ajudadas, enquanto que estes, supostamente, serão [e digo supostamente porque de boas intenções está o Inferno cheio - não nos esqueçamos!]. No entanto, para mim, devem-se ajudar não só os sem-abrigo de cá, como os refugiados. Somos todos cidadãos do mesmo mundo e se há convicção que tenho e que sempre terei é que as pessoas são pessoas NO MATTER WHAT, não gosto daquelas hipocrisias de gente que diz que somos todos iguais, mas já olham de esguelha para estas pessoas [o que não é o teu caso, foi apenas um aparte!].
      Partilho a tua opinião sobre o choque entre as religiões e os costumes. Devem respeitar os nossos e habituar-se, desde que não choque com as suas filosofias de vida, aos nossos hábitos. Nós devemos, claro, respeitar os costumes deles, desde que estes não interfiram com o bom funcionamento da nossa sociedade e não ponham em causa a dignidade humana [ e esta parte da dignidade aplica-se também a nós! ].
      Não poderia concordar mais com o teu último parágrafo. Como eu expressei no meu artigo, a Europa ''cagou'' nestas guerras do Médio Oriente, interessando-se mais na venda de armas e em ficar no seu cantinho. Não houve posições concretas, ninguém pensou em ajudar as pessoas que estavam no meio daquela guerra e, agora, a Europa é, também, hipócrita nesse aspeto, sim! Mas, como isto é também consequência dos nossos atos, é bom que a UE tome medidas decisivas acerca deste assunto. Para mim, a melhor solução seria tentar acabar com a guerra na Síria e em muitos outros países do Médio Oriente, ajudando-os, de seguida, a reerguer o seu país e a desenvolver-se. Até que isso aconteça, acho que os refugiados merecem algum tipo de ajuda, apesar de todos os contratempos [falta de financiamento, falta de controlo financeiro, falta de estruturas...].
      Para finalizar, só quero referir que, de facto, o mais provável é que haja infiltrados no meio destes refugiados, mas não é por isso que vamos negar assistência. Eles podem fazer a diferença e estragar tudo? Podem, sim, mas e as outras pessoas? Merecem pagar pelos fanatismos de outros? Também é importante referir que os países da UE e todos os países da Europa TÊM SERVIÇOS SECRETOS, que são os encarregados de descobrir estes tais infiltrados. Não sei se estão a fazer o seu serviço convenientemente ou não; mas a verdade é que as pessoas pensam que a UE está completamente desarmada e desamparada, embora isso não seja bem assim...

      Muitos beijinhos! Nuno :)

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